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Mostrando postagens de julho 27, 2007

Cultura que transforma

Autor: Renato Janine Publicado em http://www.democratizacaocultural.com.br/Conhecimento/Artigos/Paginas/070712_cultura_transforma.aspx Há muitas definições de cultura, mas gosto de trabalhar com uma em especial: a cultura efetua uma transformação na vida das pessoas (ponto 1) no sentido de ampliar seu leque de escolhas e, assim, de aumentar sua liberdade (ponto 2). Isso significa que não há uma substância chamada “cultura” e portanto o que é cultura para uma pessoa, pode não o ser para outra. O importante, então, é que também não há uma acumulação de cultura, pela qual alguém se torna dono dela, ou seja, possui “mais” cultura do que outro indivíduo. Mais ainda, e paradoxalmente, uma pessoa “culta” talvez tenha menos chances de viver a cultura do que uma pessoa inculta. Para quem freqüenta museus, cinemas, teatros, o grau de novidade de uma obra cultural, a mudança que ela lhe proporciona, pode estar perto de um grau zero. É como se estivesse esgotando sua capacidade de ampliar enfoques...

Persistência do jesuitismo no presente: as rupturas educacionais

A adoção do espaço fechado na educação pelos jesuítas fez com que crianças deixassem de aprender em contato com vários adultos e passassem a valorizar saberes desconectados da vida diária. De acordo com o sexo e a idade, a transmissão cultural dos Tupinambás processava-se pela oralidade, nos contatos pessoais. O aprender vivendo era a tônica principal. Tratava-se de uma educação integrada à vida social, pautada na junção entre o dizer e o mostrar, falar e agir coerentemente. Tradicionalmente preparados para “conformar-se aos outros”, todos podiam aprender algo em qualquer tipo de relação social. Qualquer integrante poderia ser "aluno" ou "mestre" em todas as posições da estrutura social. As crianças aprendiam a tradição milenar, integradas com os adultos, ouvindo os relatos dos antepassados, repetindo padrões e ritos de fabricação dos artefatos. Ainda hoje é difícil pensar uma escola diferente da tradição implantada pelos jesuítas. Erinaldo Alves Julho de 2007 (trec...

O ensino das artes e ofícios nas oficinas dos artistas leigos em Minas Gerais

Fonte da imagem: www.bonde.com.br/.../2005/04/img_fotog1_50.jpg As artes e ofícios, diversamente do que ocorria no litoral brasileiro, passou a ser ensinada, mormente em Minas Gerais, em oficinas coordenadas por artistas leigos ou católicos fervorosos, pois esse requisito era decisivo para firmar contratos com associações leigas ou irmandades. Essa mudança é conseqüência, dentre outros fatores, dos influxos do iluminismo na colônia brasileira, na qual as diretrizes passaram a ser adotadas pelo Estado. Como predominavam interesses coloniais, nesse momento, mais restritos às diretrizes da monarquia, as associações ou irmandades foram incumbidas da guarda, conservação e decoração das igrejas. Contratavam profissionais para atenderem às necessidades dos templos. Com o apogeu do ouro, a importância de um povoado mineiro e sua religiosidade eram demonstradas pela imponência ornamental das igrejas matrizes. As associações leigas ou irmandades ganhavam prestígio à medida que atuavam em prol de...

Persistência do jesuitismo no presente: ensino de artes e ofícios

Fonte das imagens: www.novomilenio.inf.br http://www.universiabrasil.net/especiais/patrimonios_historicos/missoes.htm Infância pobre e indígena: formação profissional nas artes e ofícios no plano de Nóbrega O reformulador espanhol Juan Luís Vives recomendava que crianças pobres “propícias para as ciências” fossem mantidas na escola, para serem mestres de outros ou para ingressarem no seminário. Os demais deveriam aprender ofícios, conforme “a inclinação de cada um”. Os colégios, da Confraria dos meninos de Jesus, fundados por Manuel da Nóbrega, na Bahia e em São Vicente, encarregavam-se da instrução das crianças pobres e indígenas. Tratava-se de uma instituição que tinha uma situação jurídica ambígua: era, a um só tempo, uma instituição eclesiástica, pois atuava como um seminário; filantrópica, uma vez que cuidava de órfãos e educacional, porque atuava como colégio. No plano de Nóbrega, o ensino profissionalizante das artes e ofícios era parte integrante do programa de ensino. Contudo,...

Persistência do jesuitismo no presente: concepção de ensino e bom professor

Imagem disponível em www.achetudoeregiao.com.br O ensino das artes e ofícios reforçava a produção artística em consonância com as necessidades do templo católico, das reduções e associações ou irmandades. A temática religiosa e a configuração formal advinham de um modelo europeu. A execução da arte era um auxílio da graça divina. Dominar múltiplas habilidades, garantindo uma produção artística condizente com a temática católica e com modelos europeus, era o que deveria desejar saber mestres jesuítas e aprendizes. A confecção de um objeto pelo aprendiz, semelhante ao modelo, revelava a efetivação da conversão. Todo o repertório iconográfico que pudesse incutir a visão do amor a Deus, a piedade, a santificação e a obediência constituía uma "boa imagem". Um bom sujeito docente nas artes e ofícios, nos séculos dezesseis e dezessete na colônia brasileira, deveria ser um sacerdote estrangeiro, vinculado a uma ordem religiosa, proveniente de países europeus católicos e com capacidad...