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A visualidade na apresentação da Esquadrilha da Fumaça: Linhas, cores e imagens no céu de Macapá/AP.

Em minhas aulas de percepção visual, sempre enfatizo para os alunos o interesse que nossa sociedade tem pela imagem, e de como que na vida contemporânea boa parte do conhecimento informal é construído através dos estímulos visuais.

A partir disso, explico que o aprofundamento do domínio da comunicação não-verbal, aliado a semiótica é imprescindível para que o aluno de artes visuais entenda o processo de criação e leitura da imagem utilizado por designers, publicitários e artistas.

No entanto, na maioria das vezes, não é fácil perceber ou muito menos, explorar os estímulos visuais presentes no cotidiano e transformá-lo em um objeto artístico. Nas imagens abaixo, pode ser visto alguns exemplos de composições que utilizam esses recursos.


Baseado nesse contexto, dias atrás (15/08) estive na frente da cidade de Macapá/AP nas margens do rio Amazonas para prestigiar a apresentação da nossa Esquadrilha da Fumaça. Já havia visto outras apresentações da esquadrilha, mas foi a primeira vez que fui com a câmera na mão com o intuito de registrá-la e posteriormente, levá-la para a sala de aula.

Lembrando que Richter (2003) destaca que numa abordagem nas questões do cotidiano, o ensino da arte na escola precisa preservar a linha de encantamento do universo estético das crianças e, que para isso ocorra é necessário não somente contextualizar o ensino de arte em si, mas também contextualizá-lo em relação ao meio cultural e estético em que as crianças estão inseridas.

No primeiro momento observando a apresentação, o que encanta são as manobras realizadas pelos aviões coloridos e os rastros de fumaça que são deixados no céu azul. São rasantes, quedas livres, giros, espirais e piruetas feitas de cabeça para baixo que propiciam brincar com nossa imaginação.






Entendendo que os temas como a visualidade e a cultura visual atualmente permeiam as discussões do ensino das artes visuais, percebi que terminada a efêmera apresentação, os aviões vão embora, as marcas de fumaça que ali estavam, se diluíram na atmosfera. E as pessoas que há bem pouco tempo que se digladiavam por um espaço melhor nas ruas para ver a apresentação, de repente se dispersam e tudo volta ao normal. Uma calma, que fora a sujeita deixada, parece até que nada houve naquele lugar.



Foi então, que a partir desse questionamento em relação a receptividade da apresentação, que busquei discutir: O que será que o expectador guarda dessa apresentação? Elas conseguem fazer alguma relação do que foi visto na apresentação com o seu cotidiano?

É partindo para tentativa de responder as questões acima mencionadas, que a fotografia se torna um recurso imprescindível nesse processo de resgate do conhecimento empírico do aluno durante na apresentação da esquadrilha.

Primeiro, porque não podemos descartar que existe uma conexão física entre o signo[i] fotográfico e seu referente. Barthes (1980: 114-115) definiu o referente na fotografia como “não a coisa facultativamente real a que remete uma imagem ou um signo, mas a coisa necessariamente real que foi colocada diante da objetiva, sem a qual não haveria fotografia”.

Segundo, porque baseado nas idéias de Benjamin (1996), a fotografia enquanto uma reprodução técnica da realidade permite evidenciar aspectos do original que não pode ser acessível ao olho humano. Situações, por exemplo, como a captação e congelamento do movimento em assuntos em altas velocidades; a apreciação de múltiplas posições e vistas de um mesmo objeto ou assunto, dentre outros aspectos.

Assim, dado a essas peculiaridades distintas é que podemos utilizar a fotografia na sala de aula enquanto um excelente material para proporcionar releituras das imagens construídas pela apresentação da esquadrilha. Frange (2000) destaca que “desenhar é encontrar violetas escondidas e nesta trajetória construir um ato de conhecimento, não o conhecimento academizado, mas um conhecimento imaginado, um conhecimento virtual, imagizado, uma invenção imagizada.”

Nas imagens abaixo, pode-se perceber com clareza a lei de agrupamento, onde as unidades visuais individuais criam outras formas distintas (Dondis, 1991).

Dessa forma, abstraindo-se da realidade visível e focando no céu azul durante a apresentação, o que será visto são cores, linhas, formas, contraste, composição, simetria, enquadramento, luz. Elementos da comunicação visual que favorecem o estímulo e o desenvolvimento de competências para um sensível olhar pensante, um olhar que pensa, que reflete, que interpreta e que avalia (Martins, 1992).




[1] O signo, numa definição básica, é qualquer coisa que substitua outra.

Referências Bibliográficas:

BARTHES, Roland. A câmara clara. Trad. Júlio Castañon Guimarães. Rio de Janeiro. Nova Fronteira: 1984.
BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. In Obras escolhidas, vol. 1. São Paulo: Editora Brasiliense, 1996: 171.
DONDIS, A. Donis. Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes, 1991.
FRANGE, Lucimar Bello Pereira. Por que se esconde a violeta? São Paulo: Annablume; Uberlândia: Edufu, 2000.
MARTINS, Miriam Celeste. Aprendiza da arte trilhas do sensível olhar pensante. São Paulo: Espaco pedagógico, 1992. RICHTER, Ivone Mendes. Interculturalidade e estética do cotidiano no ensino das artes visuais. Campinas: Mercado das Letras, 2003.

Abraços,

(José de Vasconcelos Silva)

Comentários

Sarinhazinha disse…
olá.. estava procurando coisas sobre visualidade, no qual é o tema do meu TCC.. faço faculdade de Artes Visuais. Estava perdida em relação pesquisa.. vc tem algo pra me passar? Livros.. informações? Grata, Sara.
Anônimo disse…
Sarinhazinha me perdoe a demora, estive doente (essa gripe virose). Vou dar uma olhada e te passo com toda a certeza o material que tiver.

Vasconcelos

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