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A difícil tarefa de ensinar com novas tecnologias na UFPB


Esta minha postagem é para protestar sobre as dificuldades que nós, docentes, enfrentamos para podermos cumprir com uma das metas básicas da UFPB: o ensino.
Nós que somos docentes de Artes Visuais, nos quais a imagem é nossa matéria prima de trabalho, precisamos superar inúmeras e peregrinantes dificuldades para poder usá-las. Um princípio que oriento aos meus alunos é que não devemos falar sobre, mas a partir da arte e das imagens. Mas, como é difícil cumprir com isso. Como é difícil ajudar a fazer com que a UFPB, como instituição formadora, dê exemplos para as demais.
Os espaços disponíveis, com computadores e datashows, são escassos. Os existentes, como a sala de exibições I, na Biblioteca Central, quando se consegue agendar, funciona numa sala quente, com pouca ventilação (o ar condicionado está quebrado há quase um ano) e com equipamentos defasados. O datashow, neste momento, está quebrado devido ao longo tempo de funcionamento. A despeito do esforço da direção da Biblioteca, parece haver dificuldade de se entender a importância das salas de exibições para uma visão atualizada da biblioteca, como comprovei em postagem anterior com fotos. Como fiz meu mestrado em biblioteconomia, posso afirmar e endossar a visão da biblioteca como centro de cultura. Mas, como é difícil pôr esse conceito em execução!
As salas de exibições do CCHLA, que são pouquíssimas, são dificílimas de agendar. Só se consegue raramente. Isso ocorre porque ainda se mantém a visão defasada de criar salas de vídeo e de informática. A visão atual corrobora com a iniciativa de dispor as salas de aula com os equipamentos necessários para poder ministrar aulas interessantes e atualizadas. De acordo com essa concepção, cada sala de aula deveria dispor de computadores, com acesso à internet, TV e DVD/Vídeo.
Quando os equipamentos estão disponíveis nos departamentos, o problema é o acesso. Alguns funcionários não chegam no horário das aulas, mas no horário que lhes é conveniente. Ouvi dizer que, tal como existe o currículo oculto, distinto do oficial, existe o horário de "trabalho" oculto, no qual alguns funcionários (e professores também) não seguem o horário das atividades da instituição, mas o horário da conveniência pessoal.
Outro problema é que alguns funcionários, e alguns professores também, não se dispõem a aprender o seu ofício, a fazer bem o seu trabalho. Estão em determinados setores como figurantes, para "cumprir hora". Alguns funcionários usam, no horário do expediente, os telefones, por longas horas, para interesses pessoais e os computadores para acessar, entre outros, e-mails, orkut e bater papo no MSN. Usam descaradamente o setor público para atender a interesses privados e pessoais. Trata-se de uma visão privatizada, corporativa e desviante das finalidades dentro do setor público.
Alguns funcionários, e alguns professores também, vivem para atender aos seus próprios interesses. Não contribuem, apesar de serem renumerados para isso, para difundir e vivenciar os interesses e a missão da UFPB.
O setor público, e a UFPB, não fica fora disso, tem muita dificuldade para atender bem o seu usuário. Sentimo-nos reféns de uma esquema corporativo paralisante, voltado para o empreguismo em detrimento do serviço de qualidade. A noção de servidor público é, em geral, confundida com empreguismo público, com comodismos. Alimento a suspeita que alguns funcionários e professores, agindo como agem, se atuassem no setor privado, como atuam na UFPB, já estariam demitidos há muito tempo. É o que chamo de usar equivocadamente o direito da estabilidade, que é uma conquista legítima e um diferencial para atrair profissionais competentes para o serviço público.
Diante dessa situação, e lembrando o que disse Rui Barbosa há mais de um século atrás, sentimos vergonha de tentar ser honesto...sentimo-nos como "otários" ao tentar cumprir com a nossa obrigação profissional. É muito difícil cumprir com uma das molas mestras das atuação universitária: o ensino. É estafante tentar honrar com os impostos pagos pelo povo brasileiro, dentre os quais há ainda uma quantidade significativa de miseráveis.


Mais do que nunca, faz-se necessário uma mobilização institucional para responder, honestamente e com coerência, a algumas perguntas básicas: a quem servimos quando atuamos na UFPB? Como deve ser o nosso atendimento quando atuamos como servidor público? Que horário devemos cumprir para atender bem o usuário da UFPB?


(Erinaldo Alves)

Comentários

Carlos Cartaxo disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Carlos Cartaxo disse…
Estamos vivendo uma paralisia ética. Essa sua postagem reflete muitas vozes e muitos pensamentos. O quadro precisa mudar e debater o tema é um bom começo para mudanças.
VITORIANO disse…
Solidário com Erinaldo, informo que, embora aparentemente as condições na UFRN sejam melhores, sinto-me "otário" também, vez em quando.
Anônimo disse…
Muito importante esta postagem e com certeza muito tocante.
Infelizmente é verdade!
E esta falta de ética (profissional) não deve ser vista apenas em funcionários e professores, mas também nos alunos.

Sou estudante e muitas vezes não dou importância ao cumprimento de minhas tarefas.
Mas será que não estou reproduzindo os modelos deste sistema degradante, sem o compromisso devido com minhas responsabilidades. Não sou o típico irresponsável, mas sinto que se vigiar sempre é bom e importante, afim de que possamos sempre melhorar e nos distanciarmos destes tristes modelos.


Parábens por tentar fazer algo melhor! Boa sorte em suas tentativas.

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