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Direita, volver!

Segue adiante texto de Diógenes Chaves, o qual faz uma avaliação do Curso de Licenciatura em Educação Artística e em Artes Visuais e do desepenho de alguns docentes. Após o texto dele, farei o meu comentário...

Dyógenes Chaves, Artista visual e crítico de arte (ABCA)

O papel da crítica de arte hoje não é o de apenas "intermediar" a obra de arte entre o público "leigo" ou de criar polêmica, mas dar espaço para o confronto de idéias e disseminar sentidos para as obras de arte

Ah, o sagrado direito de resposta! É tão bom podermos nos defender das críticas que julgamos injustas. Em sua maioria, as pessoas não se sentem bem quando são criticadas ou chamadas à atenção, muito embora, destas, algumas nem menos recebem uma crítica e já saem para o ataque pesado. Ora, há diversas formas de responder às críticas, desde usar o mesmo espaço, a mesma linguagem, até ignorar o fato. Só fica deselegante quando a "defesa" utiliza termos que agridem o lado "pessoal" de quem fez a crítica, sem escrúpulos, ou apela a argumentos inócuos. É o dito popular "bateu, levou". Já eu prefiro outro: "só se atira em árvore que dá fruto".

O papel da crítica de arte hoje - e isso é assunto recorrente na área - não é o de apenas "intermediar" a obra de arte entre o público "leigo" (alguns leitores, no caso desta coluna), ou, muito menos, de criar polêmica, mas dar espaço para o confronto de idéias e a disseminação de sentidos para as obras de arte. Cabe à crítica de arte (e mais ainda àquela publicada na imprensa) também se posicionar sobre questões históricas - sejam políticas, estéticas, educacionais, culturais, sociais etc. -, que tem afetado uma melhor compreensão do sistema da arte na sociedade atual. Conhecimento, lucidez, isenção e coragem devem ser os ingredientes desta crítica, eu acredito.

Há alguns dias, em artigo publicado neste mesmo espaço e me referindo ao desempenho do curso de Artes Plásticas da UFPB, eu disse que o mesmo, nos últimos vinte anos, não tinha cumprido seu papel. Talvez até tenha exagerado afirmando que o curso foi "quase um zero à esquerda", o que causou muito nhenhenhém. Não quis polemizar ou agredir gratuitamente. Mas, nada posso fazer com àqueles que vestiram a carapuça.

Antes de tudo, sei do valor de professores deste curso que são comprometidos com a qualidade do ensino na UFPB. Também sei de professores que incentivam (e levam) seus alunos a visitar exposições e ateliês de artistas, e a buscar conhecimento noutras "vidas" além do Campus. E sei de outros que tem emprestado suas experiências em ações na área social e na condução de projetos institucionais, mas, devo dizer que, por conseguinte, sei de professores que simplesmente não dão aulas. E sei daqueles que dão péssimas aulas. Isso não é privilégio só deste curso. Se esta é uma opinião pessoal, então, por que não fazer uma pesquisa junto aos alunos sobre o curso e os professores? Claro, não se deve avaliar um curso somente pelos seus resultados, mas também pelo processo que levou a este resultado. E por isso fiz, eu mesmo, um diagnóstico. Pois, seja como ex-aluno, artista, crítico de arte ou simplesmente cidadão, tenho esse sagrado direito de criticar. E saibam que conheço a realidade do curso e do NAC desde os anos 1980.

Alguns dados contundentes: o professor Gabriel Bechara, em artigo publicado neste jornal no último domingo, afirmou que o curso estaria lançando brevemente o seu Mestrado em Artes em parceria com a UFPE e a UFBA. Mas, o MEC acabou não aprovando a proposta. O motivo: os "vários doutores e inúmeros mestres" pouco produzem na área acadêmica. Quem mais perde com isso são os alunos e ex-alunos porque os professores falastrões ou omissos continuarão sua vidinha de sempre. Em sua maioria, não escrevem, não pesquisam, não publicam. Essa é a opinião do MEC.

Outros: para que citar tanta gente "importante" que circulou, deu aulas ou concluiu o curso? Isso não quer dizer nada. O Lyceu Paraibano, por exemplo, não é melhor por que teve entre os seus o poeta Augusto dos Anjos. Em tempo: na época da criação do curso de Artes Plásticas, a grande maioria dos professores não tinha o curso superior e foram contratados graças à famosa Resolução 200/77 (Notório saber). Mas isso também não quer dizer nada.

No mesmo texto de dias atrás, eu disse que, com "raras exceções, o NAC não passou de uma galeria de arte". Para bom entendedor, não é preciso entrar em detalhes. Se o NAC está hoje em "condição lamentável de manutenção" e "de onde os artistas fogem", além do abandono da reitoria da UFPB, a culpa deve ser dividida com o próprio curso que sempre olhou atravessado para o programa inicial do NAC. Diz também o professor Bechara que o "atual reitorado se prepara para construir, no Campus, um prédio próprio para atividades artísticas de extensão (...) onde a Pinacoteca da UFPB, que tem um dos melhores acervos de arte paraibana, terá sede definitiva". Acho uma maravilha e que pode muito ajudar o curso, mas, ainda está no papel. Todos - alunos, servidores e professores - sabem da situação deste acervo da UFPB. E não será um prédio novo que vai consertar o erro. Mais uma culpa que deve ser "repartida por todos os que fizeram e fazem o Curso de Educação Artística e o novo curso de Artes Visuais".

Reafirmo: o curso falhou porque se omitiu em "estabelecer laços mais estreitos com a comunidade universitária e os artistas locais", como aconselhou Paulo Sérgio Duarte, trinta anos atrás. Não retiro o que disse. Já o texto, tipo "propaganda enganosa", do professor Bechara, só me faz solidarizar-me com os alunos do curso. E que o SINAES - Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior aplique logo sua avaliação neste curso. Talvez aí saibamos se é mesmo um "quase zero à esquerda". Ou à direita.


Comentando...

Gosto da atitude de Dyógenes Chaves, profissional que respeito muito, de usar a sua coluna para, entre outras coisas, avaliar, discutir e debater o Curso de Licenciatura em Educação Artísitica e em Artes Visuais da UFPB. Trata-se de uma instituição pública e, nesta condição, deve mesmo ser cobrada e fiscalizada pela sociedade. E nós que a fazemos devemos sempre estar atentos aos reclames da sociedade e prontos para prestar contas das nossas ações.

Sem esboçar qualquer pretensão de duvidar do profissionalismo e da competência de Dyogenes, penso que seria bem proveitoso se ele pudesse dar exemplo, mostrando o que ele e as instituições públicas, nas quais vêm atuando, têm feito ou vêm fazendo de relevante... quais os desafios e dificuldades têm enfrentado e como pretende superá-las?

Seria também dignificante se, em vez de só "jogar pedras", registrasse o enorme esforço que está sendo feito pelo corpo docente de Artes Visuais para imprimir um padrão de qualidade ao Curso. Recentemente, reformulamos o Curso de Licenciatura em Educação Artística, transformando-o em Licenciatura em Artes Visuais. Que repercussão teve isso?

Como enaltece o resultado negativo da CAPES, sem reconhecer a luta e o esforço pelo pioneirismo de implantar uma pós-graduação em Artes Visuais, que será, até o momento a segunda da região - ao lado da UFBA - e a única a ter uma área de concentração em "ensino das Artes Visuais".

Concordo com ele quando também critica professores omissos e pouco comprometidos, tipo de profissional - ou antiprofissional - que existe em toda instituição. Faz-se necessário pensar em mecanismos de avaliação para diferenciar o joio do trigo e, até mesmo, exonerá-los. Discordo, entretanto, quando, em nome de uma peleja pessoal, serve-se de dados superficiais para avaliar uma instituição que vem lutando para avançar, para promover mudanças.

Disponho-me a fornecer as informações que ele desejar. Uma análise séria pressupõe que seja respaldada em informações embasadas, não em boatos, em comentários informais. Por exemplo, integro a comissão de implantação da pós-grduação e posso apresentar o relatório da CAPES, com a aprovação de 90% do projeto do mestrado. A produção de artigos em revistas e livros é tida como razoável. Ficou evidente que o maior problema é a pouca experiência do grupo com orientação em Iniciação Científica e de Trabalhos de Conclusão de Curso -TCC. O primeiro problema de orientação decorre da dificuldade de aprovar projetos no PIBIC e de uma falha em não inserir o TCC na antiga licenciatura, falha corrigida na atual reforma curricular. Esse é o tipo de problema que não se resolve da noite para o dia. Estamos planejando possibilidades para superá-las e poderemos falar ou escrever sobre isso.

Também desejo muito que o SINAES - Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior - aplique logo sua avaliação neste curso. Como será séria, apresentará entraves e avanços, mas será baseada em informações consistentes, requisitos fundamentais para a educação pública de qualidade que queremos construir.

Erinaldo Alves - doutor em Artes pela USP.

Comentários

Anônimo disse…
...
O Senhor doutor Erinaldo

Esta em estado de flutuação potiguar. Sem bases técnicas, teóricas e históricas cria verdadeiro deslize em comentar em publico o que de fato ocorre nas artes plástica local, mais um de alguns que teimam em ressuscitar o falecido NAC.
Administrado hoje por estrangeiros alheios às necessidades locais de fomento a produção e os intercâmbios pratica necessária à formação de público e circulação para se atingir o corredor cultural crescente no circuito nacional.
Sua administração é caótica sem caráter, hoje usando os alunos como meio de sensibilizar o reitorado para o tal NAC. como-se exposição de alunos fosse uma grande novidade no NAC. O que de - fato existe é uma ausência total dos artistas local a este espaço que sem eles o falecido não ressuscitara.
A sua avaliação Erinaldo é meramente por tabela via a nota que sai no pior jornal da cidade em circulação e que tem uma péssima e fictícia coluna sobre arte em sua maioria copias de colunas do sudeste. Escrita por um senhor que se diz critico de arte, coisa que ate eu posso ser.
Vou da receita do bolo, 1º escreve-se alguns textos sobre arte 2º publica-os em qual quer meio de comunicação e depois manda-se para ABCA, 3º solicita a entrada no clube dos críticos, 4º em trinta dias terás a carteirinha da mesma. NÃO PRECISA LEVA OU FORNO. É SÒ.

Maria Jambo

25 de Agosto de 2008 11:59
Anônimo disse…
Oi,

Espero que este seja seu nome, ou prefere se esconder atrás de um pseudônimo???
Eu assumo o que digo e faço... Acho que o seu texto e a maneira como foi escrito fala por si, indicando quem é similar a pior nota que sai do jornal, aliás o seu dificilmente sairia...heheh

Erinaldo Alves

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