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Tempo e morte: cronofagia na Bienal

Bem passado – Dois momentos do site de web arte Cronofagia (2002). A primeira imagem acima estava presente no site em maio de 2002 e foi substituída logo depois, no mês seguinte, pela segunda imagem, no decorrer dos cliques dos visitantes.

Cronofagia foi um trabalho participante da 25ª Bienal de São Paulo, que, por sua vez, assim como em 1998, estabeleceu duas curadorias distintas na seleção e apresentação dos trabalhos de web arte – ou net art, assim denominados em 2002 – mas com um diferencial: na edição de 2002, surge a idéia do núcleo de Net Art Brasil, englobando a produção brasileira de arte para a rede, com artistas como Gilbertto Prado (Desertesejo), Artur Matuck (Literaterra/Landscript) e Diana Domingues (Ouroboros).
Sob a curadoria de Christine Mello, os autores de Cronofagia trouxeram os referenciais poéticos de outros trabalhos antecedentes como Jacks in Slow Motion: experience 02, com a participação de Alberto Blumenschein, Emiliano Miranda e Silvia Laurentiz, onde através de uma câmera conectada a rede Internet, era possível aos visitantes da 24ª Bienal de São Paulo visualizar os presidiários de uma cadeia fluminense. O universo poético da dupla de artistas engloba situações limítrofes, muitas vezes com alto impacto visual tratando de conceitos viscerais como a violência, a sobrevivência humana, a morte e a degradação física e moral. Paralelamente à produção, em suportes digitais, os artistas levam esse universo também para outros meios, como o cinema, em produções como Morte Densa, em que mostra histórias de assassinos-de-uma-morte-só, mostrando antagonismos e paradoxos – relações sempre presente em várias produções.
O acesso ao trabalho pode se dar diretamente quando se possui o endereço do site ou indiretamente através da página da 25ª Bienal, quando ao clicar no nome do trabalho, o visitante terá uma nova janela do navegador aberta, sem menus (comandos voltar, atualizar, parar e outros), possuindo somente a barra padrão do sistema e os seus respectivos botões de minimizar, maximizar e fechar. Na janela, encontra-se logo acima, o nome do trabalho com as palavras-chave “violência, tempo, deterioração, morte” que se mantêm em ritmo contínuo de esvaecer/aparecer. Logo abaixo, apresenta-se uma imagem de carne em decomposição, que ocupa uma grande parte da janela. Mais abaixo ainda, há instruções que incentivam a participação do usuário através da frase “clique na imagem para disparar o relógio web” e um link para outra página com um texto de algumas linhas sobre as idéias contidas no trabalho e créditos.
De todos os itens existentes na apresentação/composição visual da página web, o que mais nos interessa é a imagem de carne em decomposição que se encontra ao centro, ocupando praticamente todo o campo visual – quando visualizada em uma resolução de 800x600 – da janela. Ao entrar no site, o visitante é convidado a clicar sobre a imagem a fim de “disparar o relógio web”, quando a ação é feita, a expectativa de que algo de significativo iria acontecer, se desfaz: somente uma linha horizontal atravessa verticalmente a imagem – referenciando uma varredura – mas a imagem continua intacta.
Os autores utilizam no site um mecanismo que contabiliza cada clique efetuado sob a imagem, somando os cliques de todos os visitantes. Ao chegar a um determinado número de cliques – que não é informado em nenhum momento – efetuados por inúmeros visitantes juntos, substitui-se a imagem até então disponível, por outra que estará a mercê do mesmo mecanismo.
A título de curiosidade, podemos intuir que o número necessário de cliques para a substituição-morte da imagem seja elevado. O site foi acompanhado no período do dia 08 de maio de 2002 a 20 de junho de 2002 e, durante este período, apenas uma imagem foi substituída. Vale lembrar que parte desse período compreendeu a Bienal, o que teoricamente significa que muitas pessoas acessaram o site no espaço expositivo e através da divulgação do evento na mídia.
Em debate sobre Net Art Brasil realizado na Fundação Bienal de São Paulo, em 28 de maio de 2002, sob a coordenação da curadora adjunta Christine Mello, Muller e Goifman salientaram que somente alguns componentes da equipe de produção saberiam dizer qual o número exato de cliques necessários para a morte/esquecimento da imagem. Disseram também que foram informados de casos de pessoas que passaram horas clicando frente à imagem para vê-la mudar.

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