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Sobre arte, tempo e morte na rede informatizada

Em 2002, através do site de busca Google, podemos encontrar mais de 17 milhões de referências à palavra tempo (time) e mais de 32 milhões de referências à palavra morte (death) na rede Internet. Embora essa busca textual seja destituída de qualquer sentido ou contexto de uso das palavras, talvez ela nos sirva para pensar na permanente recorrência desses dois conceitos, seja efetivamente na existência humana, seja pelo uso figurado ou pela carga simbólica. De qualquer forma, tempo e morte são intrínsecos ao homem e de certo modo, intrínsecos entre si.
Desde as primeiras incursões do homem na comunicação à distância, aos primeiros adventos de locomoção não-animal – como a locomotiva e o automóvel mais explicitamente – existe a busca da transposição de distâncias geográficas, onde pessoas e informação devem chegar no seu destino no menor tempo possível, respeitados os avanços tecnológicos de cada época. Se no cotidiano, com a aglutinação da tecnologia por meio de eletrodomésticos, o tempo poupado passa a ser sinônimo de melhora na qualidade de vida do indivíduo, no campo informacional, por sua vez, o surgimento dos meios eletroeletrônicos proporciona não só a velocidade, mas avança diretamente ao limite da instantaneidade (BOSI, 1995).
Nos meios eletroeletrônicos da nossa contemporaneidade, temos a nítida experiência da instantaneidade, seja pelo discurso dos meios de comunicação de massa – que pregam “a notícia na hora que elas acontecem”, ou “a vida real em tempo real” – ou pela proliferação de câmeras ao vivo na rede Internet, ou ainda pela “agilidade” com que os fatos jornalísticos são anexados a jornais on-line na rede. De qualquer forma, a velocidade da informação, especialmente na Internet, passa a ter cada vez mais importância, não só no que diz respeito a grandes sites de notícias como também para sites dos mais variados assuntos e interesses. Há um envelhecimento da informação, que é normalmente evidenciada na queda de acesso a sites que não atualizam constantemente suas páginas.
O novo pode se tornar antigo em poucos meses. Uma interessante metáfora a esse outro tempo dado no interior da rede é vista em Cronofagia (2002) de Kiko Goifman e Juradir Muller, onde foi criado um “relógio web”. O envelhecimento e morte de uma imagem – localizada no centro da página – são dados pela ação conjunta de usuários: é necessário um determinado número de cliques para a ação se consumir de fato. O tempo de sobrevivência é dado pela própria rede. É sobre este trabalho que vamos nos estender nas próximas considerações.

Em 2003, o trabalho Cronofagia podia ser acessado através do site da 25ª Bienal de São Paulo: http://www.bienalsaopaulo.org.br e diretamente pelo site: http://www.paleotv.com.br/cronofagia
http://www.fabiofon.com/webartenobrasil/texto_tempo.html

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