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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Nigéria: a terceira maior indústria de filmes do mundo


Venho realizando algumas pesquisas que buscam descontruir alguns estereótipos relacionados com a arte e a cultura africana. Adiante uma reportagem que apresenta a Nigéria como a terceira maior indústria de filmes do mundo. Foi uma surpresa para mim e, imagino, para os que acompanham e visitam o nosso blog. Vejam a reportagem.


Erinaldo Alves


Nigéria: a terceira maior indústria de filmes do mundo

ana paula sousa às 12:49


Que Hollywood é a maior indústria de cinema mundial, todo mundo sabe. Que Bollywood, a máquina de fazer filmes indiana é a segunda, muita gente sabe. Mas quem apostaria que a Nigéria aparece em terceiro lugar nesse ranking? Pois o país africano produziu, em 2007, nada menos que dois mil títulos. Entre 1997 e 2005, foram feitos 6.221 filmes.


Para escoar essa produção existem, no país, cerca de 500 mil locadoras de vídeo e distribuidoras. O caso das indústrias audiovisuais de Nigéria e Gana foi apresentado por Alessandra Meleiro, pós-doutoranda pela Universidade de Londres e pesquisadora do Cebrap, no V Encontro de Estudos da Cultura (Enecult), em Salvador.

A vasta produção de filmes na Nigéria e em Gana tem, segundo Alessandra, influenciado outros países do continente, que também começam a olhar para o mercado cultural como uma possibilidade concreta.


“Na Nigéria, o governo começou a dar apoio a essa produção”, diz a pesquisadora. “Mas, claro, os desafios ainda são muitos.”



O video-maker Socrate Safo, de Gana, mexe em dezenas de filmes piratas


De acordo com ela, há problemas de pirataria, baixa qualidade técnica, falta de infra-estrutura em todos os elos da cadeia e também ausência de escolas para preparar os profissionais.
Boa parte dos vídeos nigerianos tem um quê de amadorismo. Mas, de alguma maneira, esse formato atende ao gosto do público, aos anseios de entretenimento da população.
Como escreve Françoise Balogun, num dos livros da coleção Cinema no Mundo (Escrituras/Iniciativa Cultural), os filmes africanos, durante muito tempo, dependiam da ajuda financeira externa.
“Isso levou a uma cinematografia em sintonia com os filmes de arte ocidentais, não necessariamente bem recebidos pelas massas africanas”, pontua Françoise.
“O vídeo é uma resposta econômica a um desejo por imagens que sejam compreensíveis ao grande público”, aposta.
Os filmes costumam mesclar comédia, suspense e ação. Geralmente, são longos, com três horas ou mais. E os blockbusters costumam ser seriados.

“Hoje, todas as salas de cinema têm projetor de vídeo para poder atender a essa demanda”, diz Alessandra.
“O vídeo começou como fenômeno urbano, mas rapidamente se espalhou pelo campo. Os vídeos de Gana são vendidos em sites e locadoras que atendem imigrantes africanos na Europa ou nos Estados Unidos.”
Cabe observar que, lá, tudo é pirateado. Além disso, a lógica do mercado segue, estruturalmente, os princípios norte-americanos.
“O produtor é o distribuidor e também o exibidor. O produtor, ao investir num filme, já tem o ponto de distribuição”, conta a pesquisadora. No fim, todos os filmes se pagam.
Trata-se, ainda assim, de um mercado que movimenta a economia e que nos oferece lições sobre a produção alternativa de imagens num mundo marcado por um cinema hegemônico.
“Gana e Nigéria enfatizam a participação do setor cultural na erradicação da pobreza”, diz Alessandra.
“E, além dos filmes populares, há também os filmes de autor, que chegam a festivais internacionais e chamam cada vez mais atenção.”

1 Comentário:

Leninha disse...

Olá,
Estou pesquisando sobre raça/gênero e ensino de arte afro-brasileiro e encontrei esta pérola no seu blog. Maravilha, vai servir pro meu trabalho... Li recentemente sobre o ensino de arte na Nigéria e eles estão tentando construir um curriculo desde o final da década de 1980 (até antes mesmo) que garanta a preservação das artes e artefatos autóctones processando os padrões extrangeiros. Jimi Bola Akolo, da Universidade de Ahmadu Bello (Nigéria) afirma também a falta de professores de arte preparados para tal empreitada. Parece que a situação é parecida com a nossa brasileira...
Espero que possamos trocar figurinhas!
Sou professora de arte em Teresina PI... e estamos tentando construir a Associação Piauiense de Professores de Arte (que antigamente chamávamos de Anarte-núcleo pi.)
Nota dez para o blog.
Atenciosamente,
Francilene.

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