Pular para o conteúdo principal

A ARTE NO PONTO DE VISTA DA RECEPÇÃO

Canclini (1984, p.39) em seus estudos sobre a socialização da Arte, afirma que uma obra de arte não chega a sê-la se não é recebida. O consumo completa o fato artístico, porém, este modifica seu sentido segundo a classe social e a formação cultural dos espectadores, ou seja, a recepção da obra completa sua existência e altera sua significação. Como diria Marx, o consumo produz a produção, ou seja, um produto só se torna um verdadeiro produto ao ser consumido.

A relação obra e público, é importante pela construção de relações e experiências de socialização. Pois, os artistas transferem para o povo os meios de produção artística e convertem-se em incentivadores da criatividade popular. Hoje, esta em moda o conceito das obras abertas que reclamam a participação ativa do espectador ou do leitor.

Gostaremos de salientar, que nesse momento também poderíamos abordar a participação do leitor especializado, que seria o crítico, mas como existe posteriormente uma abordagem sobre o juízo crítico, nós nos deteremos aqui, só ao leitor dito ingênuo.

Bem, retomando a nossas idéias, se o leitor, observador, participa ativamente da construção da obra de arte, e, sem o ato de recepção consumo, o produto cultural fica incompleto. A Arte então seria para o público os objetos que fossem do seu interesse, pela sua beleza (imitação da realidade); pela comunicação de fatos importantes individualmente ou universalmente; ou simplesmente, por aspectos afetivos, sentimentais.

Esta leitura particular, estaria ligada diretamente aos parâmetros estéticos, culturais, históricos, filosóficos e sociais do leitor, que direta ou indiretamente, iria concede-lo o poder de louvar, ignorar ou execrar a criação do artista.

Wolfe (1984, p.10) cometa que existe uma teoria que metade da força da pintura realista não advém do artista, mas sim dos sentimentos que o observador transporta para ela, como um bagagem mental. De acordo com essa teoria, ele faz uma anologia que o quadro, O Semeador de Millet, seu sucesso tem pouco a ver com o talento de Millet, mas tão somente pelas idéias sentimentais das pessoas sobre o robusto fazendeiro. Segundo Wolfe, elas se identificariam com o personagem e inventariam uma historinha sobre ele.

Isto significa, que o leitor comum não tenta recriar o significado original do autor, nem aprender a natureza ideológica do texto, mas apenas obter uma leitura utilitária do trabalho do artista.

A visão de Arte, para estes leitores estariam ligados pelo caráter do pragmático e do estético, ou seja, a cadeira do quarto de Van Gogh seria bonita pelo semelhança com a do próprio apreciador, pela robusteza do material pintado, entre outros.

CANCLINI, Nestor García. A Socialização da Arte: Teoria e Prática na América Latina. São Paulo: Cultrix, 1984.

WOLFE, Tom. A Palavra Pintada. Porto Alegre: L&PM, 1987.

José de Vasconcelos Silva

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RCNEI - Resumo Artes Visuais

Introdução:

As Artes Visuais expressam, comunicam e atribuem sentidos a sensações, sentimentos, pensamentos e realidade por vários meios, dentre eles; linhas formas, pontos, etc.
As Artes Visuais estão presentes no dia-a-dia da criança, de formas bem simples como: rabiscar e desenhar no chão, na areia, em muros, sendo feitos com os materiais mais diversos, que podem ser encontrados por acaso.
Artes Visuais são linguagens, por isso é uma forma muito importante de expressão e comunicação humanas, isto justifica sua presença na educação infantil.

Presença das Artes Visuais na Educação Infantil:
Idéias e práticas correntes.

A presença das Artes Visuais na Educação Infantil, com o tempo, mostra o desencontro entre teoria e a prática. Em muitas propostas as Artes Visuais são vistas como passatempos sem significado, ou como uma prática meramente decorativa, que pode vir a ser utilizada como reforço de aprendizagem em vários conteúdos.
Porém pesquisas desenvolvidas em diferentes campos das ciências …

Arte como Educação e Cidadania - Por Ana Mae Barbosa

"Não é possível conhecer um país sem conhecer e compreender sua arte - essa é a opinião da professora Ana Mae Barbosa, da Escola e Comunicações e Artes da USP. "Um país só pode ser considerado culturalmente desenvolvido se ele tem uma alta produção e também uma alta compreensão dessa produção", declara. "A linguagem visual nos domina no mundo lá fora e não há nenhuma preocupação dentro da escola em preparar o aluno para ler essas imagens. O público quer conhecer; falta educação para a arte".
Na opinião de Ana, os professores do ensino fundamental e médio costumam priorizar a linguagem científica e discursiva, mas é preciso que o aluno tenha também uma alfabetização visual para compreender a linguagem que o rodeia em outdoors, na televisão, no computador. "É importante entender arte, que é a representação do país por seus próprios membros", ela ressalta. "E a configuração visual do país é dada pelas artes plásticas".
Ana afirma que até a décad…

Como fazer uma animação com bonecos!

Não é tão difícil fazer uma animação com bonecos e dá para ensinar aos seus alunos a partir de um passo a passo super simples e fácil que eu encontrei aqui pela internet onde explica para crianças como fazer uma animação com bonecos e curiosidades sobre como são feitos os filmes de animação com massa de modelar:

Conheça o passo a passo da animação com bonecos:

A primeira coisa a fazer é pensar na história e desenvolver um roteiro. Pode ser algo do tipo: "Um homem vai à padaria comprar pão, mas esquece o pão lá".

É feito o storyboard: quadrinhos com desenhos de cada cena, mostrando como será a ação do boneco e o enquadramento da câmera.

O modelista começa a construir os bonecos e cenários.

Com cenários e bonecos prontos, é hora de pensar na iluminação, como em uma filmagem convencional.

Começa a animação. São feitas 24 fotos para cada segundo de filme, que ao serem projetadas na seqüência, criam a sensação de movimento. Dependendo da ação, é possível reduzir esse número para 12 fot…