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sexta-feira, 20 de março de 2009

ainda os clichês




Na última semana tentei alinhavar uma discussão em torno do uso, nem sempre coerente ou mesmo apropriado, de metáforas para nomear obras de arte ou exposições. Em geral, estas metáforas que, na verdade, repercutem uma prática acadêmica, soam como pretensões poéticas ou titubeiam na apropriação de termos emprestados das ciências exatas e naturais. Continuando a discussão, quero afirmar que não sou exatamente contra o uso destas expressões. Sou contra a sua insuficiência teórica ou a falta de solidez na sua relação com aquilo a que está querendo se referir, falhas que decorrem da superficialidade com que artistas e críticos tratam formulações teóricas nem sempre muito fáceis de assimilar.
Com a crise do formalismo crítico, dada em função das mutações sofridas pelas artes visuais na sua passagem para o atual estágio de contemporaneidade, a crítica de arte viu-se forçada a lançar mãos de instrumentais alheios ao universo artístico. Assim, passou a ampliar abordagens lingüísticas, psicanalíticas e sócio-políticas, apoiando-se nas contribuições de vários intelectuais ditos pós-estruturalistas, mormente no que diz respeito à teoria da desconstrução, esta dirigida originalmente para a análise literária.
Ora, a própria arte conceitual e seus desdobramentos, profundamente imbricados com a palavra, pareceu mesmo solicitar para seu comentário, o intercurso da crítica com tal arcabouço teórico-metodológico. Uma vez que os próprios artistas, desde há muito, mas com maior intensidade desde o modernismo, vinham se incumbindo, eles mesmos, de discutir sua própria obra, não foi inesperado que a moda desconstrucionista também os atingisse.
Essa situação tornou imperioso, para muitos, que críticos e artistas deveriam dominar um tipo específico de discurso em que a terminologia própria dos filósofos pós-modernos preponderasse. Nada contra, repito, mas esta exigência não tem tido uma resposta eficiente em termos da formação dos implicados, não obstante esforços dos cursos de formação de artistas em todo o mundo. Saber falar ou escrever sobre o que faz é, hoje, então, uma habilidade pelo menos desejável no artista e significa dar à arte uma dimensão racionalista distanciada daquela em que o artista apenas “põe pra fora”. Enfim, o fato é que o expressionismo romântico tomou conta deste novo discurso e o que se lê são formulações próximas do surreal. Quero, por fim, dizer que de nada adianta “esbanjar português” em falatórios no fim das contas vazios, da mesma forma que não adianta macaquear meios, técnicas e temáticas contemporâneos quando não se compreende a relação mesma entre estes e a arte.


Ponto e linha

Dois eventos têm lugar nestes dias no DEART/UFRN. O primeiro deles é o ECO AR que constará, amanhã e depois, de várias oficinas e apresentações artísticas. Informe-se mais em http://www.ecoar2009.blogspot.com.

O segundo evento, promovido pelo projeto Arte na Escola, é um curso de formação continuada para professores de arte que começa neste sábado e tem continuidade no próximo dia 28. Mais informações pelo fone 3215 3553.

O SESC programa para o próximo dia 27 a abertura da exposição “O operário que ama”, retrospectiva em homenagem a Dorian Gray Caldas. A exposição terá lugar no Natal Shopping, no espaço que vinha sendo utilizado pelo SEBRAE.

Foi lançado o edital para concorrência de pauta da Galeria Conviv’art, para o segundo semestre de 2009. As inscrições têm prazo até 8 de maio. Mais informações no Núcleo de Arte e Cultura da UFRN ou pelo telefone 3215 3237.

Ilustra esta edição MDHM 06, de Vicente Vitoriano. Versão fotográfica de Mr. Duchamp Handmade 02. Grafite, nanquim e aquarela sobre couchet. 2008.

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