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Carmem Miranda: artista visual



Coluna de Vicente Vitoriano no Diário de Natal, do dia 12.02.09

Para muitos, a associação de Carmem Miranda com as artes visuais pode ser apenas produto de um esforço argumentativo, uma vez que a Pequena Notável foi carimbada como ícone do universo musical ou do cinema. Mas a artista, que faria cem anos em 2009, também foi carimbada e carimbou suas sandálias plataforma no hall da fama dos mitos cinematográficos, uma primeira chamada para o âmbito das artes visuais. Ora, as próprias sandálias desenhadas por ela (desenhadas!) já se inserem num nicho de produção cultural que, não obstante sua função utilitária, como todo objeto de moda (fashion, para os americanizados), também é um apelativo visual de primeira leva. Na linha de seu figurino seguiam-se os turbantes, as bijuterias ou balangandãs e as próprias roupas em seu colorido feérico, brilhante, carnavalesco. No conjunto, tal composição era ampliada ou copiada pelos diretores de arte de Hollywood para a cenografia de suas cenas musicais, criando uma espécie de identidade visual tropicalista/brasileira, mesmo que equivocada, em certos aspectos.
Em termos da tradição modernista de design originário da Bauhaus, Carmem Miranda criou um padrão ou unidade visual para um dado projeto, no caso os seus filmes feitos nos Estados Unidos. Noutros termos, ela criou um estilo de design pretendido por muitos arquitetos de carteirinha, mas conseguido por poucos, como Rietveld, pelo menos no sentido de ter sua criação reconhecida internacionalmente. O fato de quase toda esta sua obra encontrar-se em um museu a ela dedicado não corresponde apenas ao louvável intento de manter sua memória viva. Mesmo sendo memorial, o museu confere ou confirma a qualidade realmente artística desta produção visual que ainda pode ser vista apenas como paralela às suas atuações como cantora ou atriz. Isto se deve ao anacrônico preconceito de alijar do rol da arte produtos utilitários ou de “artesanato”, por sua funcionalidade, no primeiro caso, ou pela reprodutibilidade, no segundo.
Na multiplicidade de seus talentos, Carmem Miranda também tem, assim, um lugar na história da arte brasileira a par de sua posição no panteão da música popular ou do cinema. Com uma inteligência visual extraordinária, ela foi capaz de sintetizar os anseios nacionalistas dos modernistas brasileiros, conseguindo, ao contrário daqueles, provocar um impacto comunicativo de dimensões internacionais.

Ponto e linha

Aberta ontem, na Aliança Francesa, a exposição “Arte esferográfica: um convite à paciência”, do desenhista Niltheoogam.

Alberto Giuliani mantém sua “As múltiplas faces de Alberto Giuliani” no Espaço Orla Cultural, até dia 28.

"O Glamour das Kengas" é a exposição fotográfica de Hugo Macedo, em cartaz no Bardallo´s, até a quarta-feira de Cinzas. Em seguida, as 35 fotografias tomarão lugar na boate Vogue.

Encontra-se no Museu Café Filho, até o dia 19, a mostra fotográfica “Impressões visuais”, composta por obras premiadas e organizadas por temas como política e meio ambiente.

Até amanhã, os artistas visuais podem submeter projetos de exposições em atendimento ao edital da Fundação Capitania das Artes.

O Atelier de Arte do Núcleo Práxis tem inscrições abertas para diversos cursos de técnicas artísticas. Contatos com Zildalte Macedo pelos telefones 9405 3818 ou 8706 8121.

Interessados em participar do Workshop Internacional de Aquarelas em Girona (Espanha) e Veneza (Itália), entre os dias 26 de maio e 11 de junho, podem adquirir suas passagem em Natal pela Corais Turismo. Fones: 3202 7080 ou 9609 2693.

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