Pular para o conteúdo principal

Tarsila muito além do modernismo

Catálogo raisonné em três volumes e em forma de CD-ROM, que compreende toda a obra da artista, será lançado hoje

Camila Molina


Tarsila muito além do Abaporu - ou da Antropofagia modernista. Depois de três anos e meio de trabalho e R$ 2,8 milhões ficou pronto o catálogo raisonné com a obra completa de Tarsila do Amaral (1886-1973), que será lançado hoje, a partir das 11 h, na Estação Pinacoteca (Largo General Osório, 66), tanto em sua versão impressa, formada por três volumes, quanto em forma de CD-ROM. Tarsila, a dama ou mãe do modernismo brasileiro (como já foi identificada), é tratada nesse trabalho de fôlego em sua totalidade: seu raisonné compreende, exatamente, 2.132 obras da artista, entre pinturas (há, inclusive, conjunto de seis obras murais que ela realizou em 1927 em sua fazenda no interior de São Paulo), desenhos, ilustrações, estudos, esculturas, gravuras. "Ficávamos felizes de encontrar cada uma das obras, mas a história da arte não será outra a partir do catálogo. Nele verticalizamos e aprofundamos o conhecimento sobre a produção de Tarsila", diz Regina Teixeira de Barros, historiadora e pesquisadora-responsável pelo projeto de catalogação, trabalho realizado pela Base 7 Projetos Culturais, dirigida por Ricardo Ribenboim, Arnaldo Spindel e Maria Eugênia Saturni.

O catálogo é bilíngüe, reúne textos sobre a artista e a metodologia, verbetes com ficha técnica, excertos que destacam as principais obras e menções às exposições nas quais elas estiveram, imagens - mas não foi possível publicar de todas as peças - e cronologia assinada pela historiadora Aracy Amaral. Inicialmente, são lançados três mil exemplares da versão impressa (sempre acompanhada do CD-ROM) - parte dos catálogos será distribuída e parte ficará disponível no mercado, a preço de R$ 390 - e três mil CDs-ROM - todos eles serão distribuídos e não vendidos. Optou-se por separar, cronologicamente e por gêneros, a produção de Tarsila na edição impressa. O 1º volume se dedica às pinturas, aquarelas e guaches; o 2º (o maior), aos desenhos, estudos, ilustrações, decalques e cadernos de anotações; e o 3º, à escultura (são poucas, apenas oito) e gravuras (em metal, mas há também as realizadas por outros artistas a partir de desenhos de Tarsila). Um tópico é dedicado à produção tardia de Tarsila, entre 1970 e 72, na qual ela pode ter feito algumas "pinturas a quatro mãos" com sua assistente, d. Anete Biondi. Uma comissão técnica formada por cinco historiadores e dois membros da família da artista analisou o volume de obras.

Foi a própria família de Tarsila que procurou a Base 7 para a edição do raisonné, como conta Maria Eugênia Saturni, coordenadora do projeto, patrocinado pela Petrobrás por meio de Lei de Incentivo à Cultura e realizado em parceria com a Pinacoteca do Estado. "A família tem documentos e fotografias que subsidiaram a pesquisa, mas obras, poucas. O grosso da produção de Tarsila está por todo o Brasil, concentrada em coleções de São Paulo, na maioria, do Rio, Belo Horizonte e Brasília principalmente", diz Maria Eugênia. Há instituições com conjuntos significativos de obras de Tarsila, como o Instituto de Estudos Brasileiros e o Museu de Arte Contemporânea, ambos da USP, a Pinacoteca do Estado e o acervo da Pinacoteca Municipal, mas para se ter uma idéia, foram contactados, no total, 565 colecionadores.

A agilidade e amplitude da catalogação se devem, como dizem Maria Eugênia e Regina, à consultoria-geral da historiadora Aracy Amaral, também prima distante da artista. "Esse projeto só chegou a esse resultado porque Aracy está há 40 anos trabalhando com a obra de Tarsila", afirma Maria Eugênia. Em 1975, a historiadora lançou Tarsila - Sua Obra e Seu Tempo (Editora Perspectiva, Edusp), com seleção de cerca de mil obras da artista e base para a catalogação. Agora, no raisonné, entra tudo da produção vasta, muito diversificada (é moderna, mas é também acadêmica em muitos momentos, Tarsila ia e voltava pelos estilos) e dispersa - por ser um dos nomes mais importantes do modernismo brasileiro, é muito valorizada no mercado, o que contribui para a irradiação de seus trabalhos, principalmente, desenhos.


Disponível em : http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081213/not_imp293127,0.php


Karlene Braga

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RCNEI - Resumo Artes Visuais

Introdução:

As Artes Visuais expressam, comunicam e atribuem sentidos a sensações, sentimentos, pensamentos e realidade por vários meios, dentre eles; linhas formas, pontos, etc.
As Artes Visuais estão presentes no dia-a-dia da criança, de formas bem simples como: rabiscar e desenhar no chão, na areia, em muros, sendo feitos com os materiais mais diversos, que podem ser encontrados por acaso.
Artes Visuais são linguagens, por isso é uma forma muito importante de expressão e comunicação humanas, isto justifica sua presença na educação infantil.

Presença das Artes Visuais na Educação Infantil:
Idéias e práticas correntes.

A presença das Artes Visuais na Educação Infantil, com o tempo, mostra o desencontro entre teoria e a prática. Em muitas propostas as Artes Visuais são vistas como passatempos sem significado, ou como uma prática meramente decorativa, que pode vir a ser utilizada como reforço de aprendizagem em vários conteúdos.
Porém pesquisas desenvolvidas em diferentes campos das ciências …

Arte como Educação e Cidadania - Por Ana Mae Barbosa

"Não é possível conhecer um país sem conhecer e compreender sua arte - essa é a opinião da professora Ana Mae Barbosa, da Escola e Comunicações e Artes da USP. "Um país só pode ser considerado culturalmente desenvolvido se ele tem uma alta produção e também uma alta compreensão dessa produção", declara. "A linguagem visual nos domina no mundo lá fora e não há nenhuma preocupação dentro da escola em preparar o aluno para ler essas imagens. O público quer conhecer; falta educação para a arte".
Na opinião de Ana, os professores do ensino fundamental e médio costumam priorizar a linguagem científica e discursiva, mas é preciso que o aluno tenha também uma alfabetização visual para compreender a linguagem que o rodeia em outdoors, na televisão, no computador. "É importante entender arte, que é a representação do país por seus próprios membros", ela ressalta. "E a configuração visual do país é dada pelas artes plásticas".
Ana afirma que até a décad…

Como fazer uma animação com bonecos!

Não é tão difícil fazer uma animação com bonecos e dá para ensinar aos seus alunos a partir de um passo a passo super simples e fácil que eu encontrei aqui pela internet onde explica para crianças como fazer uma animação com bonecos e curiosidades sobre como são feitos os filmes de animação com massa de modelar:

Conheça o passo a passo da animação com bonecos:

A primeira coisa a fazer é pensar na história e desenvolver um roteiro. Pode ser algo do tipo: "Um homem vai à padaria comprar pão, mas esquece o pão lá".

É feito o storyboard: quadrinhos com desenhos de cada cena, mostrando como será a ação do boneco e o enquadramento da câmera.

O modelista começa a construir os bonecos e cenários.

Com cenários e bonecos prontos, é hora de pensar na iluminação, como em uma filmagem convencional.

Começa a animação. São feitas 24 fotos para cada segundo de filme, que ao serem projetadas na seqüência, criam a sensação de movimento. Dependendo da ação, é possível reduzir esse número para 12 fot…