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O bem que se diz das artes visuais na Paraíba - 2008 - parte 2

Essa reportagem , infelizmente , não apresenta o nome de seu autor. Também não encontrei o que seria a "Parte 1", que eu deduzi existir a partir do título desta. Quem desejar conferir na íntegra, pode acessar o link no final do texto.


Impossível não reconhecer que as mais importantes exposições de artes plásticas do ano aconteceram, quase sem exceção, na Usina Cultural Energisa

Fazer um retrospecto dos principais acontecimentos das artes plásticas em 2008 requer, claro, a coragem de falar do que foi bom para a arte, para a cidade, e também daquilo que apenas ficou na vontade, na intenção.
Por exemplo, impossível não reconhecer que as mais importantes exposições de artes plásticas do ano aconteceram, quase sem exceção, na Usina Cultural Energisa. Senão, vejamos. Entre março e maio, a mostra "Memória das artes visuais na Paraíba - do século XIX à contemporaneidade", selecionada pela FUNARTE entre 284 projetos de todo o Brasil. A exposição, com cerca de trinta artistas paraibanos, mostrou não só uma seleção de obras dos principais acervos de artes plásticas do Estado - Museu de Arte Assis Chateaubriand, Pinacoteca da UFPB e Fundação Espaço Cultural da Paraíba -, mas também propôs atividades educativas para mais de 2.500 estudantes de escolas públicas, estimulando o reconhecimento da arte e dos artistas paraibanos e, naturalmente, a reflexão sobre temas bastante urgentes: gestão e manutenção de acervos, arte pública, colecionismo e o papel das artes visuais na contemporaneidade.
Antes, entre janeiro e fevereiro, foi apresentada pela primeira vez na Paraíba, sob o patrocínio do Governo do Estado, uma das mais significativas coleções particulares de arte brasileira, de propriedade de Dona Lily Marinho. A Usina Energisa também testemunhou este episódio histórico: um conjunto dos mais representativos de artistas, brasileiros e estrangeiros radicados no país, que atuaram no período modernista, como Di Cavalcanti, Portinari, Anita Malfatti, Bruno Giorgi, entre outros artistas de gerações anteriores (Benedito Calixto, Castagneto, Fachinetti, Parreiras, Eliseu Visconti) e posteriores (Ivan Serpa, Volpi, Antonio Bandeira, Pancetti, Guignard, Aldemir Martins, Frans Krajcberg, Iberê Camargo). Além desses "monstros", a coleção incluiu artistas naïff (Chico da Silva, Djanira e Heitor dos Prazeres) e "japoneses" (Tomie Ohtake, Manabu Mabe e Wakabayashi). Esta exposição - Arte brasileira na Coleção Lily Marinho - ainda nos apresentou um retrato da colecionadora realizado por Dimitri Ismailovitch (há obras deste artista no acervo do Museu de Arte Assis Chateaubriand, em Campina Grande).
E ainda no primeiro semestre, o 12º Fenart-Festival Nacional de Arte, promoção do Governo do Estado, optou por um evento totalmente dedicado à cerâmica artística produzida na Paraíba, conjunto que aliou qualidade à diversidade de criadores dessa categoria das artes plásticas, muitas vezes, e injustamente, relegada à condição de arte menor. As Salas Especiais (Chico Ferreira, Rosilda Sá e Tota, este, in memoriam) refletem essa variedade de estilos e tendências. Ao lado das Salas, quase quarenta artesãos do vitorioso Programa Paraíba em Suas Mãos, do Governo do Estado, confirmaram a riqueza do nosso artesanato em cerâmica a partir das muitas jazidas espalhadas pelo Estado.
Em 2008, vários catálogos de artistas plásticos foram produzidos graças ao Fundo Municipal de Cultura, da Prefeitura de João Pessoa. É o caso das obras impressas do professor Gabriel Bechara, do ceramista Chico Ferreira, e das artistas Alena Sá e Alice Vinagre. E isso deve ser comemorado. Coincidentemente, as duas últimas, por ocasião do lançamento de seus livros, realizaram as melhores exposições individuais do ano. E ambas, mais uma vez, na Usina Cultural Energisa. O livro de Alena Sá apresenta um estudo sobre a harmonia e construção da cor. Coisa rara entre nós: um livro didático para as artes plásticas. Já a exposição de Alice marca a ocupação de toda uma galeria de arte: do piso ao teto, como um papel de parede. E o livro de Alice é outra jóia: trata das suas investidas artísticas na arquitetura do conjunto barroco do Convento de Santo Antonio. Outro lançamento que merece registro foi o da revista Segunda Pessoa (com incentivos do FIC Augusto dos Anjos), que publicou textos e ensaios na área de artes visuais. Na falta de espaços para divulgação, a revista cumpriu bem seu papel, além de ter optado por um projeto gráfico simples (preto e branco sobre papel jornal).
Também, entre julho e agosto, a Usina Energisa apresentou outra bela exposição, na verdade, uma homenagem póstuma ao artista popular Antônio Paschoal Régis, mais conhecido como Tota, com uma seleção de peças produzidas até pouco antes do seu falecimento, ocorrido em junho de 2003. Tratava-se de uma mostra com obras variadas - pratos, placas, potes e esculturas -, todas elas impregnadas do "estilo" peculiar que tanto encantou turistas que visitaram seu ateliê na modesta casa do bairro dos Novais.
Quanto aos outros acontecimentos e exposições do ano, temos que destacar o Prêmio Guilherme Hortêncio Ribeiro (Gráfica Santa Marta), o SAMAP (Prefeitura de João Pessoa) e o SNAP (SESC Paraíba) como aqueles que tentaram promover as nossas artes plásticas, mas, talvez por falta de experiência ou desconhecimento técnico deixaram para as próximas edições uma melhor apresentação de seus ideais e objetivos. E para 2009 fica também a participação, pela primeira vez, de um artista local, Júlio César Leite, de Campina Grande, na Bienal de Havana, uma das mais respeitadas entre as mostras periféricas do Planeta.


Disponível em : http://jornal.onorte.com.br/domingo/show/


Karlene Braga

Comentários

Oi!
Esse texto é de Dyógenes Chaves, e a primeira parte pode ser vista no link: http://jornal.onorte.com.br/domingo/diogenes/

Marília Medeiros

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