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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Salões I: a fotografia



Com uma dica do cinegrafista e videasta Ricardo Pinto, meu aluno de novo, agora na especialização, consegui fazer a postagem dos textos publicados em minha coluna do Diário de Natal sobre os Salões em cartaz por estas plagas. Tentarei trazer a coluna na íntegra, a partir de agora.
Saudações a todos de Vicente Vitoriano



Salões I: a fotografia
(Publicado na coluna Artes Plásticas, Caderno Muito do Diário de Natal, em 27.11.08)

Não tem volta. A fotografia grassa a produção contemporânea entre nós. É quase uma hegemonia, resultado da preferência por trabalhos feitos com este meio dada pelos críticos responsáveis pela seleção de obras dos nossos Salões. No XII Salão de Artes Visuais da Cidade do Natal (Capitania das Artes), dois dos três premiados são fotógrafos. Já no II Salão Abraham Palatnik de Artes Visuais (FAPERN, Biblioteca Pública Câmara Cascudo), os três premiados apresentaram trabalhos fotográficos. Exposições, até individuais, estão pipocando, mesmo que possam ser criticadas.
Esse fato que vem se engendrando nos últimos três ou quatro anos, aqui, entre nós. Entendo-o como uma resposta a uma das tendências mais vigorosas da arte contemporânea que se atrela ao uso de meios tecnológicos. Mas não se trata apenas de clicar com uma câmera digital qualquer coisa por aí, embora muitas obras nos dêem esta impressão, mesmo. Há toda uma série de ações que envolvem outros processos digitais intermediados por softwares, além dos aparatos infográficos responsáveis pelo produto que chega até ao público. Evidentemente, este artesanato tecnológico atrai a atenção dos artistas, principalmente os novos ou aqueles inábeis para um trabalho manual de qualidade, e parece constituir o eixo em torno do qual se estrutura esta tendência. Porém, não há forma sem conteúdo e a herança conceitualista é imperiosa, implicando que não adiantam os recursos técnicos de elaboração e acabamento, se não houver uma boa idéia por trás das imagens. E, diga-se, uma boa idéia explícita.
Sabe-se que a arte não é um discurso naturalmente claro. O público, assim como o artista, deve se esforçar em apreender e equacionar estas duas faces da obra: sua elaboração técnica e possíveis conceitos ali impregnados. Daí, esperar-se que artistas e montadores provejam as chamadas “bulas”, estas que devem e podem ser claras a fim de criar pistas que levem o público a uma compreensão das obras. A ausência de tais informações ou sua presença inócua ou imprestável faz que muita fotografia, mesmo que apareça tecnicamente perfeita, informe um vazio desconcertante.
Esta é uma reflexão introdutória a uma série de comentários que serão publicados nas próximas semanas, no que contarei com a contribuição de alunos da disciplina Crítica de Arte do Curso de Licenciatura em Artes Visuais. Acompanhe.

Vicente Vitoriano

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